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Célestin Freinet
Nascido em 1896 em Gars, um vilarejo ao sul da França, o professor primário não chegou a concluir seus estudos na Escola Normal de Nice. Com o início da 1a Guerra, alistou-se e participou dos combates. Em 1920, iniciou a carreira docente, construindo os princípios de sua prática. A educação, a seu ver, deveria proporcionar ao aluno a realização de um trabalho real. Faleceu em 1966. O que ficou Um alerta Jornal escolar, troca de correspondência, cantinhos pedagógicos, trabalho em grupo, aulas-passeio. Práticas atuais, presentes em muitas escolas, elas nada mais são do que idéias defendidas e aplicadas pelo educador Célestin Freinet desde os anos 20 do século passado, na França. "Ele propunha uma mudança da escola, que considerava teórica, desligada da vida", explica Marisa Del Cioppo Elias, professora do Departamento de Tecnologia da Educação da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. "Sua sala de aula era prazerosa e bastante ativa. O trabalho é o grande motor de sua pedagogia."As práticas de ensino propostas por Freinet são fruto de suas investigações a respeito da maneira de pensar da criança e de como ela construía o conhecimento. Ele observava muito seus alunos para perceber onde tinha de intervir e como despertar neles a vontade de aprender. O educador compreendia que a aprendizagem se dá pelo tateio experimental. "Quando a criança faz um experimento e dá certo, a tendência é que repita aquele procedimento e vá avançando". Mas, de acordo com Freinet, ela não avança sozinha. Tanto é assim, que a cooperação está entre os pontos fundamentais de sua pedagogia. A interação entre o mestre e o estudante também é essencial para a aprendizagem. O professor consegue essa sintonia levando em consideração o conhecimento das crianças, fruto de seu meio. Para Rosa Maria Whitaker Sampaio, coordenadora do Núcleo Freinet Cidade de São Paulo, estar em contato com a realidade em que vivem os alunos é fundamental. "Professores que levam sua turma a aulas-passeio e organizam sua sala em cantinhos, mas que ignoram aspectos sociais e políticos ao redor da escola, não estão de acordo com o que propunha o educador"."Atividades escolares vivas" A aula-passeio, por exemplo, "mãe" do atualíssimo estudo de meio, surgiu de uma observação simples: se, dentro de sala, as crianças viviam interessadas no que acontecia do lado de fora, por que não sair com elas e aproveitar esse interesse para o aprendizado? Mas, mesmo realizando aulas-passeio e jornais, você pode nunca ter aplicado a pedagogia Freinet. É que ele não propôs as "atividades escolares vivas" de forma solta, e sim baseado num tripé que chamou Pedagogias do Bom Senso, do Trabalho e do Êxito, sempre considerando a criança o centro de sua própria educação. Assim, cada atividade era um trabalho útil e criativo, decidido e organizado coletivamente pelos estudantes. O essencial era valorizar a livre expressão dos alunos, motivando-os a partir do que considerava necessidades vitais do ser humano: criar, se expressar, se comunicar, viver em grupo, ter sucesso, agir-descobrir e se organizar. Observadas essas condições, a escola formaria, enfim, "cidadãos autônomos e cooperativos", como queria Freinet. AULA-PASSEIO Além da organização coletiva, uma atividade freinetiana deve proporcionar oportunidades de: expressão, comunicação, criação, pesquisa e tateio experimental. Freinet chamava de tateio experimental a capacidade da criança de realizar uma pesquisa usando a reflexão. Ou seja, formular sua próprias hipóteses, tentar verifica-las e, com isso, apreender informações cada vez mais complexas. Veja o exemplo da aula-passeio, segundo a coordenadora do Núcleo Freinet de São Paulo, Rosa Maria Whitaker Sampaio, especializada no tema: "A aula-passeio tem quatro etapas: a motivação, a preparação, a ação e a comunicação." Depois de motivado, o grupo passa a cumprir assim as fases seguintes:Preparação: planejam-se os aspectos materiais (tempo, transporte, alimentação). Levantam-se. com pesquisa e entrevistas, as leis ou regras do assunto, a situação geográfica, dados históricos e outros. Por último, faz-se um levantamento de hipóteses. Ação e prolongamento: terminado o passeio, os alunos verificam suas hipóteses e fazem pesquisas complementares sobre pontos obscuros ou novas descobertas. Comunicação: as conclusões devem ser transmitidas pela imprensa escolar, murais, teatro etc. A IMPRENSA ESCOLAR A imprensa escolar é um dos pilares da pedagogia Freinet, usada desde as séries iniciais. Se não for possível imprimir o jornal, que seja feito à mão. A atividade parte de textos escritos livremente, com temas definidos pelos alunos a partir de entrevistas, pesquisas, aulas-passeio. Mas, para ser divulgado, o texto precisa ser perfeito e a correção coletiva é essencial. O processo de impressão também é coletivo. Como lecionava numa escola sem recursos, Freinet criou o limógrafo , impressora artesanal que hoje pode ser substituída pelo mimeógrafo e até pelo computador. Entre as vantagens da imprensa escolar estão:
TEXTO LIVRE É a base da livre expressão defendida por Freinet, pois respeita a inspiração da criança quanto à forma, ao tema e ao tempo para sua realização. Pode, portanto, ser também um desenho, um poema etc. O texto livre nunca é exigido pelo professor, embora deva ser continuamente estimulado. Mas, se a criança deseja que seu texto seja divulgado, ele deve necessariamente passar pela correção coletiva. Essa correção pode ter várias etapas, para que toda a classe comente seus aspectos formais e de conteúdo, cabendo ao autor fazer as alterações finais. LIVRO DA VIDA É uma espécie de diário da classe, ao qual as crianças têm livre acesso e do qual o professor também deve participar. O ideal é que seja montado com folhas grandes que são acrescentadas ao conjunto diariamente. O Livro da Vida é a forma de registro mais primária da livre expressão pois, embora pertença a toda a classe, é formado pelas contribuições pessoais mais espontâneas. Nele a criança pode incluir qualquer trabalho (texto, desenho, pintura) que deseje, sem passar pela correção coletiva. Nele pode funcionar também o Painel de Manifestações, composto pelos títulos "Eu Sugiro", "Eu Critico", "Eu Felicito", que permite às crianças a exposição de suas opiniões. Esse quadro pode funcionar ainda fora do Livro da Vida, em caixinhas para cada título. A única exigência é que esses textos sejam sempre assinados para que possam ser discutidos coletivamente. CORRESPONDÊNCIA A correspondência entre classes e entre escolas é outro dos pilares da pedagogia Freinet. Para ele, as atividades escritas têm pouco sentido se ficam restritas aos que as produzem, mas tornam-se apaixonantes se o autor sabe que serão lidas e correspondidas. Os estudantes não trocam apenas textos, mas também presentes e fotografias. Duas classes só devem começar a se escrever depois que seus professores se comunicam e organizam os pares correspondentes, embora haja troca de mensagens coletivas. Entre os benefícios da correspondência estão:
PEDAGOGIA DO TRABALHO BASEADA NA VIDA DA CRIANÇA Freinet desenvolveu as atividades observando os interesses da criança (bom senso) e acabou por estabelecer o trabalho como motor da ação educativa. Para ele, se a criança constrói sua aprendizagem ativamente, essa ação deve ser um prolongamento natural de sua vida e contribuir para adaptá-la ao seu meio. Como esse meio é marcado pelo trabalho, então é por ele que mais facilmente o aluno adquire conhecimento. "Não é o jogo que é natural na criança, mas o trabalho", diz Freinet numa das Invariantes, nome que ele deu aos trinta pontos em que resumiu sua pedagogia. O aspecto cooperativo dos trabalhos é fundamental. "A classe deve se organizar como uma cooperativa, em que todos decidem juntos como organizar e dividir as tarefas", explica Rosa Sampaio, que também é autora do livro Freinet, Evolução Histórica e Atualidades. As decisões são organizadas em Planos de Trabalho, com as tarefas individuais e coletivas. Em sala, as atividades acontecem em "cantos" específicos: canto da biblioteca, do desenho, da imprensa. E qual é o papel do professor? "Esse papel não se enfraquece, pois é ele quem garante as condições dos trabalhos, dando informações, pistas e sugestões para estimular o aprendizado". Aulas teóricas, sim ( Transcrito da Revista Nova Escola)
Artigos Transcritos da Internet - com a intenção exclusiva de ajuda aos professores.
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