Deixe-me
errar alguma vez,
porque também sou isso:
incerta, dura e ansiosa, de não te perder
agora que te entrevejo, no horizonte.
Deixe-me errar e compreender-me,
porque se te faço mal
é por querer-te desta maneira tola e tonta.
Eternamente recomeçando a cada dia
como num descobrimento
dos teus territórios de carne e sonho,
dos teus desvãos de música ou vôo,
dos teus sótãos e porões e
das escadarias de tua alma.
Deixe-me errar, mas não me soltes,
tomara que eu não me perca
deste tênue fio de alegria,
dos sustos do amor que se repetem,
enquanto houver em nós a magia.
Deixe-me errar...
Abbud